Sistema Penitenciário cearense constrói novas salas de aula e amplia acesso à educação

24 de abril de 2019 - 13:33

“Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. A frase de Paulo Freire vem ao encontro do novo momento do sistema prisional cearense. Passada a fase inicial de reestruturação das unidades, a Secretaria da Administração Penitenciária tem dois objetivos práticos junto aos presos e egressos: educação e trabalho.

 

Mola sustentadora dos processos de ressocialização, a educação avança a passos largos no sistema prisional do Estado. Unidades como IPPOO 2 e Sobreira Amorim já estão com salas novas, equipadas e com aulas regulares. O coordenador educacional do sistema penitenciário, Rodrigo Moraes, detalha os números atuais. “Temos 1.819 internos dentro das salas de aula, seja no processo de alfabetização, ensinos fundamentais e médios. A disciplina e a boa atmosfera vivida nas unidades nos permitem abrir planos audaciosos para a educação”, atesta.

 

O titular da SAP, Mauro Albuquerque, lança desafios e metas para este ano. “Dobraremos o número de internos em salas de aula até o fim desse semestre. Trabalharemos de forma incansável para ter mais de 6 mil detentos em aulas regulares até o fim de 2019. Queremos dar a chance que essas pessoas não tiveram. Sonho possível se faz com dedicação e sonhamos ver essas pessoas ressocializadas”, idealiza.

 

O interno Daniel dos Santos se mostra otimista com o novo momento. Durante a aula sobre a história de Tiradentes, ele detalha seus planos para quando sair do IPPOO 2. “Estou prestes a concluir as últimas séries do ensino fundamental. Vou me dedicar, concluir o ensino médio e aproveitar os novos cursos profissionalizantes que o Senai fará aqui na cadeia”, planeja.

 

O jovem Franciscleudo Lima, de 22 anos, faz um retrospecto do que viveu e do que pretende viver daqui em diante. Além de estudar, ele também trabalha como servente de pedreiro na obra de construção de novas salas de aula. “Antes de vir para a cadeia, eu estudei muito pouco e nunca tinha trabalhado. Se tivesse tido a oportunidade de ter conhecimento, de ter suado e recebido o retorno disso, jamais tinha cometido meus erros. Esse trabalho aqui é transformador. Vou sair daqui e vou me tornar um construtor competente”, ressalta.