Dez faces da luta pelos Direitos Humanos no Brasil é lançado no Ceará

9 de setembro de 2013 - 03:00

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República-SDH/PR e a Delegação da União Europeia no Brasil, com o apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Ceará lançam na próxima terça-feira, 10 de setembro, a publicação “Dez faces da luta pelos direitos humanos”, que apresenta denúncias na voz dos defensores de direitos humanos do País, as motivações de luta e os percalços inerentes à atuação de cada um. O lançamento será às 14 horas na sala Algas do Quality Hotel Fortaleza e contará com a presença do Embaixador do Reino da Bélgica, Jozef Smets; da Secretária de Estado de Justiça e Cidadania, Mariana Lobo Botelho Albuquerque, responsável pela execução do Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Ceará; da conselheira Maria Könning-de Siqueira Regueira, da Embaixada da Alemanha; do conselheiro Erik von Pistohlkors, da Delegação da Uniao Europeia; do Coordenador Geral do Programa Federal de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos da SDH/PR, Igo Martini; assessor da Coordenação Geral de Acompanhamento de Projetos de Cooperação Internacional da SDH/PR, Pedro Angoti. 

As histórias desses homens e mulheres representam as experiências de todos os defensores incluídos e acompanhados pelo Programa Nacional e pelos Programas Estaduais de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. As atuações cobrem áreas distintas: direito à terra, à vida, à um tratamento adequado e não violento, ao meio ambiente, à manutenção de comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e de pescadores. A publicação é uma iniciativa inspirada na Declaração sobre Defensores dos Direitos Humanos, de 9 de dezembro de 1998, quando os países afirmaram a responsabilidade de todos no que diz respeito à promoção e à proteção dos direitos humanos.

No Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, o defensor é atendido por equipes técnicas estaduais ou federais, que monitoram periodicamente os riscos e a situação de ameaça em que se encontram avaliados. Visitas no local de atuação do defensor, atendimento psicossocial, acompanhamento das investigações e denúncias fazem parte do Programa, além de articular medidas de proteção com órgãos de defesa e segurança. Excepcionalmente, é feita a retirada provisória do defensor do seu local de atuação em casos de grave ameaça ou risco iminente.

Sobre o PPDDH

Após a Declaração de 1998, os brasileiros foram os primeiros e únicos no mundo a contar com um Programa d, executado pelo governo desde 2004. Ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, reconhece a importância dos defensores para a efetivação dos direitos. Em 2007, outro grande avanço aconteceu com a instituição da Política Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Atualmente, está presente em oito estados brasileiros: Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará.

No Ceará, o PPDDH tem a gestão da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania, com execução da instituição APAVV – Associação de Parentes e Amigos de Vitimas da violência. O programa conta 19 defensores de direitos humanos incluídos. Essas lideranças sofrem ameaças e criminalização em razão de sua atuação na promoção e defesa dos direitos humanos indígenas, luta pela terra, moradia urbana, crianças e adolescentes e pescadores.  

Defensor do Ceará é destacado na publicação

Leia abaixo um resumo das história contada por João Luís Joventino do Nascimento (João do Cumbe)
“Estamos vivendo uma recolonização.”

A comunidade tradicional do Cumbe, a 12 km do município de Aracati, litoral leste do Ceará, é rica em recursos naturais e em patrimônio cultural. É cercada por dunas, lagoas interdunares, gamboas, rio Jaguaribe, praias, uma extensa área de manguezal e carnaubais. A população é formada basicamente por pescadores e pescadoras que vivem da cata de caranguejo e de mariscos do manguezal.

Esse patrimônio vem sendo pressionado por grandes empreendimentos de carcinicultura – criação de camarão em cativeiro. É nessa comunidade que João Luís Joventino do Nascimento, ou João do Cumbe, como é mais conhecido, vem desenvolvendo sua luta para a preservação dos manguezais e da própria comunidade e suas tradições culturais desde 1996.

João usou a escola como ponto de partida para sua mobilização. Teceu redes, deu visibilidade aos problemas, colocou as necessidades de uma comunidade pobre e esquecida no mapa. Depois de mais de quinze anos de luta, agora aos 39 anos, decidiu ampliar sua atuação e fazer mestrado em Educação na Universidade Federal do Ceará. Ele garante que continuará disseminando a história e a luta do Cumbe em defesa dos manguezais e das dunas para alertar outras comunidades que venham a passar pelo mesmo problema.

 
Com informações da SDH