Internas do IPF visitam pela primeira vez confecção em Pacajus
28 de março de 2014 - 03:00
Um grupo de 14 internas do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa conheceu, na manhã desta sexta-feira (28), a fábrica de roupas da empresa Famel, na cidade de Pacajus. As internas trabalham em uma parte da confecção que está instalada na unidade prisional feminina, em Aquiraz. Foi a primeira vez que as internas saíram da unidade e foram às instalações da fábrica. Elas tiveram a autorização da Justiça para fazer a visita e foram escoltadas por agentes penitenciárias. O trabalho delas dentro da unidade é remunerado com 3/4 de um salário mínimo e dá direito a remissão de pena (a cada 03 dias trabalhados, 01 dia a menos de pena a cumprir).
A diretora do IPF, Analupe Andrade, esteve presente na visita. Destacou que a visita foi a realização de “um sonho” para as internas, que há tempos queriam conhecer a fábrica da qual fazem parte. A diretora relata que muitas mulheres chegam à unidade sem uma profissão ou uma capacitação profissionalizante e a confecção é uma das oportunidades de ressocialização oferecidas que podem mudar a história delas ao saírem do cárcere. “As internas são mulheres e mães, como nós, e têm suas preocupações. É preciso dar a elas uma oportunidade de construir uma história diferente. Neste ponto, nossa unidade feminina tem sido referência no país com ocupação e profissionalização para muitas internas”, destacou Analupe.
Guiada por funcionários da empresa, elas conheceram o maquinário e aprenderam detalhes da fabricação de roupas. Após a passagem pelas instalações da fábrica, as presas foram recepcionadas pela proprietária da empresa, Fátima Brilhante, que narrou que diariamente passava em frente ao IPF. “Eu pensava em quantas mulheres estavam ali ociosas, sem ter uma ocupação”. Daí veio a ideia de levar um pedaço da fábrica para a unidade prisional. “Para nós, não importa o que vocês fizeram, não queremos fazer distinção nenhuma aqui na empresa. O que nos interessa é que vocês estão pagando pelo que cometeram no passado e estão tendo uma oportunidade”, afirmou, destacando que ao saírem do cárcere, as internas devem usar o aprendizado para se colocar no mercado. “Hoje, costureira só fica desempregada se quiser”, apontou. Fátima lançou às internas a proposta de elas definirem um nome para o projeto e afirmou que a Famel tem planos para expandir o trabalho na unidade prisional.
“Muitas de nós não consegue a liberdade porque não tem uma carta de emprego e a senhora (referindo a empresária Fátima Brilhante) sinaliza que nós poderemos ter uma oportunidade aqui ao sair do presídio. Isso é como se entregasse a liberdade nas nossas mãos”, emocionou-se uma das internas durante a visita.