Campanha de doação de livros pretende equipar bibliotecas das unidades prisionais do Estado

2 de abril de 2014 - 03:00

A Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) tem trabalhado para estimular a leitura entre os internos das unidades prisionais do Estado. Para isso, está com uma campanha de doação de livros para implantar e reequipar as bibliotecas das grandes unidades do Estado. Os livros podem ser entregues na sede do órgão. Podem ser doados livros novos ou usados, preferencialmente de literatura, poesia, história, autoajuda e de temáticas espirituais. 
 
 
Quem tiver interesse de doar livros e acervo às penitenciárias cearenses, pode entregar na Rua Tenente Benévolo, 1055, Meireles. De segunda a sexta-feira, 8h às 17h. No órgão, os livros passarão por uma triagem antes de ser encaminhados às unidades. Esta triagem terá como objetivo manter o acervo de todas as unidades o mais atualizado e diversificado possível.
Atualmente, estão implantadas bibliotecas no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa, Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II) e Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II).  
“A Sejus aposta no potencial da leitura para socializar, aliviar as tensões e abrir os horizontes de quem está encarcerado. O livro pode ser um exemplo positivo, pode ter o papel de ensinar novas palavras, tornar pessoas melhores, ser companheiro nas horas de solidão ou mesmo aliviar tensões”, aposta a secretária Mariana Lobo, que quer implementar uma portaria de remissão de pena através da leitura. Tal como acontece nas penitenciárias federais. 
A portaria está sendo elaborada pela Sejus e prevê que a leitura de um livro mensal possibilite a remissão da pena. A remissão seria dada tendo por base a ficha de leitura feita pelo interno e avaliada por uma comissão da Secretaria.
Experiência positiva
Das bibliotecas instaladas nos presídios cearenses, a melhor experiência é com o Instituto Penal Feminino. Lá, a Biblioteca Marieta Cals foi inaugurada em 2009, a partir de uma parceria feita com a Secretaria da Cultura do Estado (Secult), que doou os primeiros dois mil livros. Hoje, são 8.216 exemplares, sendo 508 periódicos e 7.708 livros.
Romances, contos, poesia, quadrinhos, enciclopédias, catálogos fotográficos e clássicos compõem o acervo. A média de retiradas semanais por leitoras é de aproximadamente 120 livros, podendo variar com a chegada de novos títulos. Em termos comparativos é um livro por interna a cada mês, já que a unidade possui 483 presas. Os números são bastante animadores, sobretudo quando comparados com a realidade nacional. A média de leitura do brasileiro é de quatro livros por ano, sendo que apenas dois livros são lidos até o fim, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.