Projeto Querer estimula empreendedorismo dentro do presídio feminino
27 de maio de 2014 - 03:00
De interna do sistema penitenciário a empreendedora. É esta a transformação que o projeto Querer pretende provocar na vida de 90 internas do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa (IPF). O projeto é uma parceria entre Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae/CE) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e será lançado na próxima sexta-feira (30), às 10h, no auditório do Senac Centro.
O lançamento terá a presença da secretária da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus), Mariana Lobo, do diretor técnico do Sebrae/CE, Alci Porto e do presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Gastão, além das internas que serão contempladas no projeto.
As capacitações profissionais ministradas pelo Senac/CE serão realizadas nas dependências da unidade prisional, nos segmentos de beleza e artesanato, iniciando com os cursos de assistente de cabeleireiro (280 horas/aula) e maquiador (180 horas/aula), seguindo com os cursos de artesão em bordado a mão (160 horas/aula), em patchwork (160 horas/aula), depilador (180 horas/aula) e manicure e pedicure (160 horas/aula). Os cursos ocorrem entre junho e novembro deste ano, quatro vezes na semana. O projeto visa ensinar um ofício às internas e estimular o empreendedorismo, oferecendo uma alternativa para que, ao cumprirem a pena, elas possam ser donas do seu próprio negócio.
A titular da Sejus, Mariana Lobo, acredita que este projeto é uma grande oportunidade de mudar a vida destas internas quando elas saírem do cárcere. “A mulher tem que realmente Querer mudar. Este é o potencial transformador do projeto que trabalhará egressas para serem empreendedoras. O projeto Querer vai trabalhar as potencialidades das internas, acompanhando-as em todas as fases da abertura de um negócio. Nosso desejo é que elas queiram construir uma nova história a partir de uma trajetória difícil que é aquela dentro de uma unidade prisional”, destaca Mariana Lobo.
“A seleção das internas foi feita a partir de uma cuidadosa triagem. Demos prioridade às internas já condenadas, as que pretendem ter seu próprio negócio ou as que ficarão mais tempo na unidade com fins de concluir a capacitação”, ressalta a coordenadora de Inclusão Social do Preso e do Egresso da Sejus, Cristiane Gadelha.
Ao longo do projeto, o Sebrae irá realizar palestras para despertar o potencial empreendedor das detentas e motivá-las a abrir sua própria empresa, apresentando as oportunidades de negócios que o mercado oferece. Serão oferecidas ainda oficinas de gestão nas temáticas de compra, venda, planejamento e controle financeiro, além de capacitações em associativismo e cultura da cooperação incentivando a união de forças para que as mulheres participantes do projeto possam aumentar a sua competitividade.
A atuação do Sebrae continua após a saída dessas mulheres da unidade prisional com a formalização como microempreendedoras individuais, consultorias para a elaboração de planos de negócios e orientações para obtenção de crédito junto aos bancos.
“O empreendedorismo vem se firmando como uma poderosa estratégia de inclusão social no Brasil. As micro e pequenas empresas ocupam um papel de destaque no contexto de desenvolvimento econômico do Ceará e são uma alternativa cada vez mais atraente e democrática. Democrática porque abre oportunidades para grupos por vezes discriminados no mercado de trabalho como os egressos do sistema prisional. Mas para empreender com sucesso é preciso estar preparado. E as mulheres do projeto Querer serão capacitadas justamente para isso”, afirma o diretor técnico do Sebrae, Alci Porto.
Para a diretora regional do Senac/CE, Ana Cláudia Martins, o Senac reafirma o seu papel de agente social. “Acreditamos que realizando este projeto de grande relevância, oportuniza o que avaliamos ser o pontapé inicial para a inclusão produtiva e a consequente ressocialização dessas mulheres através da capacitação nos segmentos de beleza e artesanato que apresentam forte vocação empreendedora aliado à vontade pessoal de mudança do estilo de vida, do Querer reconquistar a sua dignidade e a sua cidadania”.
RAIO-X DO IPF – O IPF tem hoje 534 internas (dados de 15 de maio), das quais 76% são presas provisórias, ou seja, ainda aguardam uma decisão judicial sobre o suposto crime que cometeram. Em 2014, já foram ofertadas 590 vagas de ocupação, entre trabalho, estudo e capacitação. No total, 43% das internas estão sendo capacitadas, 33% estão estudando e 24% estão trabalhando. O Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa é o único presídio exclusivamente feminino do Estado. Em outubro, completa 40 anos, sendo 14 no atual prédio, que fica no Complexo Penitenciário de Aquiraz.