Projeto Plantando o Amanhã capacita egressos em jardinagem

3 de agosto de 2015 - 03:00

“O nome do projeto já está explicando…você planta para colher o amanhã. Se plantamos e cuidamos de uma mudinha hoje, amanhã ela será uma árvore grande, cheia de vida e saúde. A plantinha não sabe como ela será, mas ela acredita e vence os obstáculos”, assim entende o paulista George, egresso do sistema penitenciário, que como a natureza, segue vencendo os altos e baixos do tempo.
 
George é um dos 20 alunos do projeto Plantando o Amanhã, realizado pela Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado, por meio da Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso (Cispe), em parceria com a Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb), que oferece capacitação em jardinagem para apenados dos regimes aberto e semiaberto. São dois meses de cursos em que os alunos aprendem sobre ecologia, classificação de plantas, preparos de canteiros, métodos de propagação, combate a pragas e doenças, conservação e plantio de ervas medicinais, cultivo de flores, entre outros.
 
O curso tem duração de 240 horas/aula, divididas em aulas teóricas e práticas, no Horto Municipal Falconete Fialho, localizado no Parque Ecológico do Passaré, onde são cultivadas 235 espécies vegetais, entre mudas florestais, frutíferas, ornamentais e medicinais. Os egressos são conduzidos por quatro agrônomos e uma estagiária de biologia.
 
“Essa parceria é importante porque o treinamento da formação de jardineiro não existe em Fortaleza e é uma mão de obra extremamente necessária”, comenta o agrônomo do Horto Municipal, Solinésio Alencar.
 
De acordo com a coordenadora de Inclusão Social do Preso e do Egresso (Cispe), Cristiane Gadelha, o curso de jardinagem é uma oportunidade de capacitar e oferecer aos egressos uma melhor condição de trabalho e incentivá-los a trabalhar como autônomos em paisagismo e jardinagem.
 
Enquanto os apenados preparam o solo para receber novas mudas, uma se destaca no meio das margaridas e samambaias. Samara é a única mulher que se interessou pelo curso. “Antes de ser presa já me interessava pela beleza da natureza. Quando houve a oportunidade de me inscrever para participar deste curso, aproveitei e não perdi tempo”, diz. Já Otávio, apreciador das rosas, deseja “ser um cidadão digno e conseguir um emprego com carteira assinada”.

E assim, admirando as árvores de porte grande e o canteiro com as plantas medicinais, o paulista que entende bem o significado de “Plantando o Amanhã”, recorda dos chás que sua avó fazia e afirma “quando eu voltar para São Paulo, vou cuidar da minha avózinha e fazer uma horta medicinal. Ela vai ter orgulho de mim”.