Sejus promove curso de jardinagem para egressos do sistema penitenciário
8 de agosto de 2016 - 12:57
A prática do cultivo requer paciência. Plantar no tempo certo, esperar o crescimento da planta e colher os frutos. Este é o processo pelo qual estão passando 30 egressos do sistema penitenciário no curso de jardinagem, que está ocorrendo no Horto Municipal Falconete Fialho, em parceria entre a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus), por meio da Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso (Cispe), e Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da Urbefor.
O professor Solinésio Fernandes, engenheiro agrônomo e professor do curso de jardinagem, chama atenção para o que está escrito nas paredes da sala de aula: “nunca é tarde para recomeçar”. Para Solinésio, o curso é uma oportunidade para sair da “doença da ociosidade”. Para ele, mais que isso, o curso é também uma chance real de inserção no mercado de trabalho. “Aqui ensinaremos o conhecimento técnico, noções de estética para montar um jardim, relação com o cliente”, reforça o professor.
E recomeçar está nos planos de Edson da Silva, 33 anos, egresso do sistema e que fez parte da turma anterior do curso de jardinagem. Ele foi contratado há um mês para trabalhar com as mudas de plantas do Horto. “Esse á uma boa oportunidade para quem sai do sistema. E quem esteve lá não é pra querer voltar”, diz Edson. Ele reforça ainda que ter carteira assinada “é uma chance de viver em paz”.
Cristiane Gadelha, coordenadora da Cispe, comemora a terceira turma, destacando que dos 50 formados no curso até hoje, 42 estão trabalhando na área. “Alguns foram contratados por empresas ligadas à Urbefor e outros estão trabalhando por conta própria, mas utilizando esse conhecimento adquirido no projeto”, ressalta. Recentemente, cinco egressos foram contratados pela Urbefor para trabalhar no Horto e na manutenção de praças públicas.
Cristiane destaca que a qualificação é o principal motivador do curso de jardinagem. “Entendemos que essa profissão dá oportunidade para que eles, que saíram do sistema, empreendam, trabalhem por conta própria. Com o curso, queremos dar o máximo de apoio possível para que isso aconteça”, diz Cristiane.
Os alunos da formação recebem vale-transporte, material didático, cesta básica mensal e fardamento (calça, blusa e botas). Entre as atividades das aulas práticas e teóricas está preparar canteiros, reconhecer plantas medicinais e ornamentais, plantio de árvores florestais, além da produção de jardins. O treinamento dará direito a certificado e tem duração de dois meses. Na parte prática, os alunos plantarão mudas em canteiros de grandes avenidas da cidade.