Retrospectiva 2025 – Integração, inovação e protagonismo marcam os cinco anos da Polícia Penal do Ceará

8 de janeiro de 2026 - 16:33

O ano de 2025 marcou um capítulo decisivo para o sistema prisional do Ceará. Cinco anos após a criação oficial da Polícia Penal, o Estado consolidou uma trajetória de modernização e fortalecimento institucional, com avanços que reforçaram sua posição de referência nacional em segurança prisional e políticas de ressocialização. Sob a condução da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), o período foi marcado por reconhecimento, ampliação de projetos e importantes melhorias na rotina operacional.

Ao longo do ano, a Polícia Penal atingiu novos níveis de excelência técnica e operacional. Investimentos em tecnologia, infraestrutura e capacitação reforçaram o trabalho dentro das unidades e elevaram a qualidade das operações. Protocolos de segurança mais rigorosos e processos internos modernizados asseguraram maior eficiência, contribuindo para um ambiente mais profissional e seguro, alinhado aos melhores padrões do país.

A ênfase em articulação institucional também ganhou destaque. A SAP ampliou o diálogo com o Poder Judiciário, Ministério Público, instituições de ensino e setores produtivos, fortalecendo ações voltadas à educação, ao trabalho e à qualificação de pessoas privadas de liberdade. As parcerias ampliaram o alcance das políticas de ressocialização e reforçaram o compromisso com a redução da reincidência criminal.

Outro ponto que marcou 2025 foi a valorização da Polícia Penal. Houve avanços nas condições de trabalho, na oferta de formação continuada e no reconhecimento do papel estratégico desempenhado pelos policiais penais na segurança pública. O conjunto dessas ações evidencia um sistema que evolui de forma planejada e humana, consolidando o Ceará como referência nacional na gestão prisional.

Reforço Operacional e Modernização do Equipamento Policial

Em 2025, a Polícia Penal do Ceará avançou na modernização de sua estrutura e no fortalecimento operacional. A SAP entregou novas motos modelo Lander XTZ 250, adquiridas com recursos do Fundo Penitenciário Nacional (FUPEN), para reforçar o Patrulhamento Tático Penitenciário e as escoltas nas unidades prisionais. Com maior mobilidade e agilidade, as equipes ampliam sua capacidade de resposta em ações de segurança.

O reforço também incluiu 200 novos capacetes balísticos, distribuídos aos Grupos de Ações Penitenciárias (GAP) e de Operações Regionais (GORE). Os equipamentos substituem os antigos e garantem mais proteção e conforto aos agentes durante operações de contenção e escoltas especiais.

Pela primeira vez no sistema prisional cearense, a Polícia Penal passou a contar com 51 armas de choque Taser X2. Classificados como armamento não letal, os dispositivos protegem os agentes em operações de alto risco e reduzem significativamente o risco de lesões graves para pessoas envolvidas em conflitos.

Além do reforço em equipamentos, a SAP investiu na capacitação de servidores e colaboradores. Foram realizadas 3.820 certificações em cursos de formação e aperfeiçoamento, incluindo o projeto “Mulheres Táticas”, voltado exclusivamente para policiais femininas da Polícia Penal e de outras forças de segurança. O programa oferece treinamento em tiro desportivo, disciplina, controle emocional e preparo tático, fortalecendo o protagonismo feminino e aprimorando a qualificação técnica de todos os profissionais que atuam nas unidades operacionais.

Reconhecimento Nacional e Destaques Institucionais

Em 2025, o modelo de gestão penitenciária da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP) recebeu reconhecimento em âmbito nacional e estadual, reforçando a excelência do sistema prisional cearense. Durante a Reunião Extraordinária do Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária (CONSEJ), em Brasília, o secretário Mauro Albuquerque e o secretário executivo de planejamento e gestão interna, Álvaro Maciel, apresentaram o Sistema Integrado de Gestão Penitenciária (SIGEPEN) como exemplo de inovação e eficiência no setor.

No âmbito estadual, a SAP conquistou o Selo de Equidade de Gênero e Inclusão nas categorias Ouro e Premium, entregue pelo governador Elmano de Freitas. A honraria, direcionada a instituições que promovem igualdade de gênero e inclusão social, reconheceu a SAP como a única secretaria estadual premiada em sua primeira edição, destacando o progresso na promoção da diversidade e na valorização das mulheres no sistema prisional cearense.

O compromisso da secretaria com a proteção e fortalecimento das mulheres também foi reconhecido pela Câmara Municipal de Fortaleza. A Coordenadoria de Alternativas Penais (COAP) recebeu homenagem durante sessão solene alusiva aos dois anos da Procuradoria da Mulher, em reconhecimento ao projeto “Outras Medidas”, que implementa alternativas penais com foco na ressocialização e na proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.

A Ouvidoria da SAP também teve seu trabalho destacado, recebendo o selo Prata na Avaliação de Desempenho das Ouvidorias Setoriais, promovida pela Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado (CGE). A premiação avaliou critérios como cumprimento de prazos, qualidade das respostas e alinhamento com as diretrizes da política estadual de ouvidoria. Ao longo do ano, a Ouvidoria atendeu 4.193 demandas, evidenciando o esforço contínuo da SAP em aprimorar seus canais de escuta e atendimento ao cidadão.

Além disso, a SAP foi agraciada com o Selo de Integridade 2025 da Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado do Ceará (CGE), ficando com a categoria Prata. O reconhecimento é concedido a órgãos e entidades do Poder Executivo Estadual que avançaram de forma significativa na implementação de seus Programas de Integridade. Criado pelo Decreto nº 34.814/2022, atualizado pelo Decreto nº 36.865/2025 e regulamentado pela Portaria CGE nº 191/2025, o Selo tem como objetivo incentivar práticas de ética, transparência, prevenção de riscos e fortalecimento da integridade na administração pública.

A SAP também ganhou destaque em âmbito estadual ao ser selecionada para apresentar boas práticas no I Seminário de Planejamento e Gestão para Resultados, promovido pelo Governo do Estado. Representada pelo secretário executivo Álvaro Maciel, a Secretaria apresentou o SIGEPEN, ferramenta desenvolvida internamente para centralizar dados e otimizar a administração das unidades prisionais. A plataforma permite o monitoramento em tempo real das rotinas operacionais, integração com órgãos da Justiça e agilidade na tomada de decisões, reforçando o protagonismo da SAP na inovação e na eficiência da gestão penitenciária.

Integração e Participação Ativa da Polícia Penal

Em 2025, a Polícia Penal do Ceará reforçou sua atuação integrada com as demais forças de segurança do Estado, participando de operações estratégicas de combate ao crime organizado. Um dos destaques foi a Operação Integração Saturação Total, que mobilizou equipes da Polícia Penal junto a órgãos estaduais de segurança, ampliando a capacidade de resposta e promovendo maior coordenação em ações de fiscalização, patrulhamento e intervenção em áreas de risco.

Outro marco do ano foi a participação da SAP na Operação Heresia, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE). A ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa de atuação interestadual, com incursões simultâneas em 29 municípios cearenses e em estados como Piauí, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. A SAP mobilizou 102 policiais penais — 45 atuando dentro das unidades prisionais e 57 no cumprimento de mandados externos — resultando em 73 mandados de prisão cumpridos e 23 prisões de monitorados por violações relacionadas à tornozeleira eletrônica. A atuação da Polícia Penal foi destacada como essencial no fornecimento de dados de inteligência e no controle rigoroso de internos envolvidos com facções criminosas.

Ainda reforçando seu papel estratégico, a Polícia Penal participou da Operação Escudo Aéreo, voltada a desarticular um esquema criminoso que utilizava drones para transportar celulares, drogas e outros ilícitos para dentro de unidades prisionais. A ofensiva, organizada pela FICCO/CE, resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão e seis mandados de busca e apreensão, incluindo a prisão de dois pilotos de drones, um empresário ligado a fraudes e um interno da Unidade Prisional Professor José Jucá Neto (UP-Itaitinga 3), apontado como responsável pelo esquema.

O trabalho contínuo da corporação também se reflete nos números alcançados em 2025. Foram apreendidos 1.316 smartwatches, 617 celulares analógicos, 416 smartphones, 23 drones e quatro pacotes com materiais ilícitos, totalizando 2.376 apreensões em ações internas e externas. No mesmo período, 532 ocorrências envolveram visitantes e custodiados, das quais 430 se referem a tentativas de entrada de materiais proibidos por visitantes, resultando em 391 conduções à delegacia e 39 prisões em flagrante. Entre os ilícitos recolhidos estão 14,4 kg de fumo, 12,9 kg de maconha, 3,3 kg de cocaína, além de comprimidos, drogas sintéticas e porções de haxixe.

A participação da Polícia Penal nessas operações evidencia o protagonismo da corporação na segurança estadual, reforçando a presença profissional e técnica dos agentes dentro e fora das unidades prisionais. A integração com outras forças permite atuação mais eficiente, troca de informações em tempo real e desenvolvimento de estratégias conjuntas voltadas à prevenção e repressão de delitos, consolidando a Polícia Penal como peça-chave no sistema de segurança do Ceará.

Inteligência e tecnologia: o papel estratégico da COINT no Ceará

Em 2025, a Coordenadoria de Inteligência (COINT) da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) se destacou como peça central no combate ao crime organizado no Ceará, unindo tecnologia, estratégia e integração com outras forças de segurança.

Com a promulgação do Decreto nº 36.493, em 1º de abril de 2025, sua estrutura foi oficialmente consolidada como órgão central da SAP, organizada em uma Célula de Segurança Tecnológica Prisional e Núcleos de Inteligência espalhados pelas unidades prisionais. Desde 2019, a COINT vem realizando um trabalho altamente especializado, que vai além da simples recaptura de foragidos: 197 dos 234 presos que escaparam do sistema prisional foram recapturados, evidenciando a precisão e a efetividade das ações de inteligência. Essa atuação se fortalece ainda mais com a integração ao Centro de Inteligência do Ceará (CIC), instalado no Centro Integrado de Segurança Pública, permitindo acesso direto a informações estratégicas, análises de risco e planejamento conjunto de operações, aumentando a capacidade de antecipação de ações criminosas em todo o Estado.

A tecnologia tem sido uma grande aliada nesse trabalho. Sistemas de CFTV com monitoramento 24 horas, body scanners, drones com câmeras térmicas e câmeras corporais com GPS garantem maior segurança, prevenção de fugas e transparência nas operações. Os drones permitem vigilância aérea mesmo em áreas de baixa visibilidade e já viabilizaram a recaptura de foragidos, enquanto as câmeras corporais, pioneiras na América Latina, registram áudio e vídeo em tempo real, assegurando a integridade jurídica das ações. Os body scanners substituem as revistas manuais, detectando objetos ilícitos e promovendo dignidade aos visitantes.

Paralelamente, a COINT investe na capacitação de seus profissionais e de agentes de outras instituições de segurança, por meio de cursos e workshops em inteligência prisional, operações de inteligência, entrevista em ambiente prisional, operação de drones e segurança orgânica. A criação da Célula de Educação em Inteligência Prisional reforçou o compromisso com a formação, já capacitando mais de 325 servidores e consolidando a COINT como referência nacional em inteligência penitenciária, contribuindo diretamente para o fortalecimento das políticas de segurança pública no Ceará e no Brasil.

Inovação, cultura e segurança no sistema prisional

Ao longo de 2025, o sistema prisional cearense viveu momentos que simbolizam não apenas avanços estruturais, mas também conquistas humanas e institucionais. Entre iniciativas culturais inéditas, projetos de ressocialização de grande alcance e a formação de novos profissionais para reforçar a segurança nas unidades, o ano foi marcado por ações que refletem a evolução contínua da gestão penitenciária no Ceará. Esses acontecimentos, distribuídos entre arte, qualificação, tecnologia e fortalecimento da Polícia Penal, ajudaram a consolidar um modelo de administração moderno, integrado e comprometido com resultados.

A 1ª Mostra de Artesanato e Ressocialização do Estado do Ceará (MAR), realizada na Estação das Artes, tornou-se um dos marcos desse movimento. O evento, promovido em parceria entre a SAP e a Secretaria da Cultura (Secult), apresentou ao público peças produzidas por pessoas privadas de liberdade, evidenciando o impacto positivo de projetos que aliam qualificação profissional, expressão artística e geração de renda dentro das unidades prisionais.

A presença da arte também ganhou destaque no Ceará Moda Contemporânea (CMC) 2025, que registrou um momento inédito ao levar à passarela uma coleção confeccionada por internos, a partir de criações assinadas por estilistas renomados. A parceria entre o SINDROUPAS e a SAP permitiu que os internos participassem de todas as etapas produtivas, transformando talento e dedicação em peças de alta qualidade. A participação de familiares durante a apresentação reforçou ainda mais o caráter humano e transformador da iniciativa.

No campo da segurança e do fortalecimento institucional, a formação das três turmas do Curso de Formação Profissional da Polícia Penal marcou um avanço inédito. Pela primeira vez, a grade curricular do concurso foi inteiramente desenvolvida pela própria SAP, garantindo uma formação alinhada às necessidades reais do sistema penitenciário cearense. O processo, iniciado com 900 candidatos, resultou na convocação de 600 futuros policiais penais, que passaram por uma preparação rigorosa, composta por aulas teóricas, práticas e técnicas. A avaliação final, de caráter eliminatório, assegurou que somente os candidatos plenamente aptos integrassem a corporação, reforçando o quadro responsável pela gestão e proteção das unidades prisionais do Ceará.

Hortas Prisionais: Produtividade, Sustentabilidade e Ressocialização

O projeto de hortas desenvolvido pela Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) consolidou-se em 2025 como uma das iniciativas mais significativas de ressocialização aliada ao enfrentamento da insegurança alimentar no Ceará. Transformando áreas antes ociosas das unidades prisionais em espaços produtivos, a ação promove não apenas ocupação laboral e aprendizado técnico, mas também contribui diretamente com o programa Ceará Sem Fome, beneficiando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade.

Atualmente, nove unidades prisionais participam do projeto, envolvendo a atuação conjunta de policiais penais e internos. Os servidores integram comissões voluntárias — formadas por 30 a 40 profissionais por unidade — responsáveis pelo planejamento e acompanhamento das atividades agrícolas. Já o plantio, cultivo e manejo diário são realizados por internos selecionados por critérios como disciplina, bom comportamento e perfil para o trabalho, com equipes que variam entre 10 e 20 participantes por unidade.

A Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes (UP-Imelda), pioneira na implantação do projeto, tornou-se referência para todo o sistema. Em média, a produção mensal pode chegar a 700 quilos de alimentos, destinados às cozinhas do Ceará Sem Fome conforme as necessidades nutricionais definidas pelo grupo Alimento Seguro. Entre as espécies cultivadas estão hortaliças, legumes, raízes e plantas medicinais, como coentro, cebolinha, couve-manteiga, rúcula, berinjela, batata-doce, alface, tomate-cereja, pimentão, pimentas variadas, erva-cidreira, macaxeira, açafrão e feijão verde.

Além disso, o projeto abrange a produção de caixotes de madeira utilizados nas campanhas do Ceará Sem Fome. Essa etapa é realizada por internos que participam de oficinas de marcenaria e serralheria, fruto das qualificações ofertadas pelo Senai–CE, por meio do Procap 2019. Dessa forma, os participantes desenvolvem habilidades profissionais, contribuem para ações sociais e têm acesso à remição de pena pelo trabalho.

Em 2025, o sistema prisional do Ceará reafirmou, por meio das hortas, o valor da sustentabilidade, da educação profissional e da solidariedade, fortalecendo políticas públicas que transformam a vida dos internos e impactam positivamente a sociedade.

Oferta Educacional nas Unidades Prisionais

A Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) mantém no Ceará um conjunto robusto de ações educacionais voltadas para pessoas privadas de liberdade, oferecendo alfabetização, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação Profissionalizante e oportunidades de Ensino Superior a distância. A iniciativa garante caminhos concretos de transformação pessoal e social, reforçando a educação como ferramenta central de ressocialização.

Em 2025, o estado registrou participação expressiva de internos em diferentes programas e exames educacionais. No Enem PPL, 7.067 internos foram inscritos, ampliando o acesso ao exame nacional de ensino. Além disso, mais de 11 mil pessoas privadas de liberdade participaram do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja PPL), reforçando o compromisso do sistema prisional com a formação acadêmica e o desenvolvimento de habilidades.

Outro marco histórico foi registrado na 6ª Jornada de Leitura no Cárcere, com a participação de 9.617 internos em 32 unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza e do interior. O número corresponde a 38% da população carcerária do Ceará, configurando a maior adesão já registrada pelo sistema prisional em atividades de leitura e reforçando o papel da educação como instrumento de transformação e inclusão social.

Um dos maiores destaques do ano foi o avanço do Projeto Livro Aberto, que alcançou 23.269 pessoas privadas de liberdade, proporcionando acesso à leitura, produção de resenhas e remição de pena por meio do estudo. A iniciativa fortalece o desenvolvimento intelectual, estimula o pensamento crítico e amplia oportunidades de transformação, consolidando a educação como um dos pilares mais sólidos da política de ressocialização do Estado.

Fortalecimento da Inclusão Social através da Formação Profissional

A qualificação profissional permanece como um dos instrumentos mais eficazes para promover a reintegração social de pessoas privadas de liberdade, ampliando suas oportunidades de acesso ao mercado de trabalho. Em 2025, a Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso, da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização, certificou 4.850 internos em diferentes segmentos profissionais.

Essas formações integram o projeto “Sou Capaz”, financiado pelo Fundo de Combate à Pobreza (FECOP) e executado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/CE). Os cursos contemplam áreas essenciais, com destaque para profissões da construção civil, como pedreiro de alvenaria, eletricista, gesseiro, pintor, bombeiro hidráulico e serralheiro, entre outras qualificações técnicas que ampliam o repertório profissional dos participantes.

Desde sua criação em 2019, o projeto já capacitou dezenas de milhares de internos, consolidando-se como uma iniciativa transformadora na promoção da inclusão social e na remição de pena. Mais do que preparar para o mercado de trabalho, o projeto incentiva a geração de renda, possibilitando que os internos apoiem suas famílias e construam novas perspectivas de vida.

Em 2025, o foco da iniciativa se manteve firme na ressocialização, utilizando a qualificação profissional como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento pessoal e social. A ampliação do número de capacitados demonstra o compromisso contínuo com a construção de oportunidades reais e dignas para aqueles que buscam recomeçar.

Expansão do Polo Industrial no Sistema Prisional 

O sistema prisional do Ceará deu um salto significativo em 2025 na ampliação do polo industrial instalado dentro das unidades prisionais, impulsionado pelo fortalecimento do projeto Cadeias Produtivas, que reúne capacitação profissional, oportunidades de trabalho e ações efetivas de ressocialização. A crescente participação do investimento privado se tornou uma ferramenta essencial nesse processo, possibilitada por um ambiente institucional marcado pela disciplina, pela segurança e pela gestão eficiente nas unidades. Esse cenário tem estimulado empresários a direcionar recursos e estabelecer projetos produtivos dentro dos presídios, gerando emprego, renda, remição de pena e transformação social entre internos e internas.

A parceria entre a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) foi determinante para esse avanço, resultando em mais de 30 mil certificações profissionais em diversas áreas. As formações ampliaram a qualificação da mão de obra disponível dentro das unidades, atraindo novos empreendimentos e abrindo portas para arranjos produtivos que fortalecem a autonomia e a empregabilidade dos internos após a liberdade. A experiência de trabalhar durante o período de encarceramento tem se mostrado decisiva na redução da reincidência criminal, contribuindo para que os participantes desenvolvam competências técnicas, mantenham rotinas produtivas e encontrem um caminho real de reinserção social.

No modelo do projeto Cadeias Produtivas, os internos cumprem uma jornada de 40 horas semanais e têm direito à remição de pena — a cada três dias de trabalho, um dia é reduzido do total da condenação. A remuneração é distribuída de forma a reforçar a autonomia financeira e fortalecer os vínculos familiares: 50% do valor é repassado diretamente às famílias, 25% é reservado judicialmente para utilização após a liberdade e os 25% restantes retornam ao sistema prisional, ajudando a financiar melhorias estruturais.

O ano de 2025 também marcou um avanço expressivo com o lançamento estadual do Programa SEJA PRO+ Trabalho e Emprego, promovido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pelo Sesi e pelo Conselho Nacional do Sesi (CN-Sesi). O programa oferta 1.500 vagas gratuitas de qualificação profissional para jovens cearenses dentro de um total de 25 mil oportunidades distribuídas nacionalmente, com foco em trabalhadores entre 18 e 29 anos que não concluíram a educação básica. No Ceará, a iniciativa contempla participantes da Região Metropolitana de Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte, incluindo pessoas privadas de liberdade. Desse total, 300 vagas foram destinadas à Unidade Prisional Vasco Damasceno Weyne (UP-Itaitinga 5), escolhida como referência nacional devido aos resultados alcançados pelo Projeto SESI, que integra Educação de Jovens e Adultos (EJA) e formação profissional para internos.

Durante a solenidade de lançamento do programa, a UP-Itaitinga 5 também recebeu dois novos galpões industriais, construídos em parceria com o Senai Ceará. O primeiro, destinado às oficinas de costura, foi viabilizado com recursos do Procap. O segundo, voltado para atividades de marcenaria e serralheria, foi implantado com investimento do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (FECOP). Com esses espaços, a unidade qualificou cerca de 400 internos em áreas como pedreiro, eletricista, gesseiro e pintura de paredes, consolidando-se como um verdadeiro polo de qualificação e produção industrial dentro do sistema penitenciário cearense. A expansão consolida o Ceará como referência nacional em reinserção social por meio do trabalho e da educação, reafirmando o compromisso do Estado com políticas públicas que oferecem novas perspectivas de vida e ampliam oportunidades reais de transformação.

Artesanato como instrumento de transformação 

O artesanato segue desempenhando um papel fundamental no sistema prisional do Ceará, atuando como uma importante ferramenta de qualificação profissional, ocupação produtiva e remição de pena. Além de gerar renda, a atividade artesanal fortalece a autoestima dos internos e cria oportunidades reais para um recomeço digno após o cumprimento da pena.

Em 2025, 3.290 pessoas privadas de liberdade estiveram inseridas em projetos de artesanato desenvolvidos nas unidades prisionais, ampliando significativamente o impacto das ações de formação, produção e comercialização. Essas iniciativas vêm fortalecendo habilidades manuais, estimulando a criatividade e aproximando os internos do mercado por meio de produtos que ganham cada vez mais visibilidade e valorização.

Entre os programas de destaque, está o “Arte em Cadeia”, projeto que se sobressai pela promoção da reinserção social e pelo fortalecimento da economia criativa no sistema prisional. As peças produzidas demonstram o talento e a dedicação de cerca de 4 mil internos e internas, participantes das 24 oficinas produtivas mantidas pela SAP, distribuídas em 16 unidades prisionais do estado. Além de incentivar a expressão artística, o artesanato prisional promove geração de renda, qualificação profissional, autoestima e remição de pena, reafirmando o compromisso do Governo do Ceará com políticas públicas que transformam vidas. Parte da produção pode ser encontrada permanentemente em pontos de venda como a loja no Shopping Benfica, o espaço no RioMar Kennedy, a loja da Emcetur e a tradicional Feirinha da Beira-Mar.

A Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso (COISPE) também ampliou as ações da “Rede Artesã”, iniciativa que integra internos e familiares na produção e comercialização de artesanato. Esse modelo colaborativo fortalece vínculos familiares, gera renda complementar e favorece a continuidade do trabalho após a liberdade.

Em 2025, o artesanato reafirmou-se como uma poderosa ferramenta de ressocialização, proporcionando dignidade, qualificação e novas possibilidades para milhares de pessoas que encontram na arte um caminho para reconstruir suas trajetórias e vislumbrar um futuro mais humano e inclusivo.