Internas da Unidade Prisional Feminina de Aquiraz recebem certificados de conclusão do ensino médio
26 de março de 2026 - 13:02
A Unidade Prisional Feminina de Aquiraz foi palco de uma solenidade marcada por emoção, conquistas e valorização da mulher. Ao todo, 16 internas receberam a certificação de conclusão do Ensino Médio, etapa final da educação básica brasileira, A iniciativa é realizada pela Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) por meio de sua Coordenadoria de Educação em parceria com o Serviço Social da Indústria do Ceará (Sesi Ceará) .
A cerimônia integrou as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março e destacou o papel da educação como ferramenta essencial no processo de ressocialização.

O secretário executivo de Planejamento e Gestão Interna da SAP, Álvaro Maciel, parabenizou as formandas e ressaltou a educação como instrumento de reintegração social. “É um momento muito feliz para nós que cumprimos a Lei de Execução Penal, concretizando a ressocialização através do acesso ao conhecimento formal. Um país, um povo, uma nação, só evolui e melhora através da educação. Parabenizo à todas as formandas e à todas as internas que participaram das atividades artísticas apresentadas. Quero parabenizar também à gestão da unidade, que pela atuação da diretora Socorro realiza, com muita dedicação, todas as missões da UPF”, declarou.
Na gestão da UPF, a diretora e policial penal Socorro, salientou o poder transformador pessoal e social que o conhecimento proporciona e destacou a valorização profissional dos policiais penais cearenses.
“A SAP vem oportunizando esperança, oportunidades e o poder de escolha para essas mulheres, de escolher o que desejam ser quando saírem daqui, pois elas estão aprendendo, tendo educação, qualificação e trabalho. Hoje, tenho orgulho de ser policial. Tenho orgulho de trabalhar na SAP porque hoje nós conseguimos fazer o nosso mister, que é dar à essas pessoas oportunidades e efetivar aquilo que a Lei de Execução Penal diz em seu primeiro artigo, que é promover às pessoas privadas de liberdade o cumprimento fiel da sentença, mas com dignidade e também a reintegração social”, afirmou.

O evento contou com uma programação cultural protagonizada pelas próprias internas, evidenciando talentos e promovendo a expressão artística como instrumento de recomeço. O grupo musical “Acordes para a Vida” realizou uma apresentação que emocionou o público, seguido pela encenação teatral “Congresso de Mulheres”, do grupo “Artes Transformando Vidas”, integrado por mulheres privadas de liberdade. A peça expôs importantes figuras femininas brasileiras, entre elas a desembargadora Auri Moura Costa, que foi nomeada Desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, prestando juramento no dia 23 de maio de 1968, sendo a primeira Juíza de Direito do Ceará e do Brasil a atingir o mais alto cargo da magistratura estadual, também dirigiu o Fórum Clóvis Beviláqua em 1977, além de ter sido a primeira mulher a ocupar a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. A personalidade cearense dá nome à Unidade Feminina em Aquiraz.
A juiza da 1ª Vara Criminal de Pacatuba e integrante do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do sistema carcerário e de Execução de Medidas Socioeducativas(GMF) do Tribunal de Justiça do Ceará, expressou a força do recomeço das mulheres privadas de liberdade e falou sobre a valorização do empenho das internas. “Nós estamos aqui para celebrar aquelas que desejam mudar, que desejaram romper com paradigmas, com estigmas que lhes foram lançados. Agradeço a todas essas mulheres que honraram aquilo em que nós acreditamos, porque, quando estamos aqui para celebrar, para falar sobre mulheres que estudam e trabalham, que se dedicam, existe um momento histórico para mostrar àqueles que estão lá fora: ‘Olha só, a gente não trabalha em vão, estamos fazendo o que acreditamos e isso é válido’”, ressaltou.

Outro momento de destaque foi a apresentação de dança do grupo “Passos para o Recomeço”, formado por internas do sistema penitenciário, que levou ao público uma mensagem de superação e esperança.
Professor por formação e vocação, o diretor da Escola Sesi/Senai – Parangaba, Paulo Botafogo, realçou a importância da integração das instituições para a promoção do ensino nas unidades prisionais e evidenciou o orgulho de acompanhar a solenidade de formação das concluintes.“É uma satisfação da nossa instituição estar aqui a serviço da sociedade, através dessa parceria com o Governo do Estado do Ceará, por meio da SAP. Agradeço a todos os policiais penais que permitem que, todos os dias, os professores do SESI entrem em sala de aula e façam o seu trabalho da melhor forma, de uma forma afetuosa e com muita responsabilidade. Eu quero parabenizar também todas as estudantes por essa conquista. Para nós, como professores, é um orgulho gigantesco”, afirmou.
De forma inédita, a solenidade reuniu familiares das internas, que acompanharam de perto a conquista educacional estando presentes na cerimônia. Emocionada, Gelma Oliveira, acompanhou a cerimônia de conclusão de ensino médio de sua irmã, a interna Angelica Oliveira. Ele falou sobre a conquista e reforçou que estará de braços abertos para recebê-la após o cumprimento da pena, auxiliando para uma nova trajetória marcada por realizações. “Para mim, é gratificante. Sempre venho visitar ela com o filho dela e fico muito orgulhosa de hoje ver ela se formando. Não vi lá fora, mas estou vendo aqui dentro. Fico muito orgulhosa de ver ela desse jeito, ela pode ter a certeza que lá fora vamos estar de braços abertos para acolher ela”, afirmou.

Mais do que a entrega de certificados, o momento simbolizou novas possibilidades e reafirmou a importância de políticas públicas voltadas à educação e à valorização da mulher, contribuindo diretamente para a construção de trajetórias de vida pautadas na dignidade e na reintegração social.
Hoje formanda e trabalhando dentro do sistema prisional na empresa Ypioca, a interna Angelica Oliveira, também já conta com outras conquistas em iniciativas da SAP, na UPF ela aprendeu técnicas de artesanato no projeto “Arte em Cadeia”, foi no recinto carcerário que ela teve o primeiro contato com a produção do artesanato e com satisfação revela que hoje produz artigos como bolsas com o conhecimento que adquiriu. Ela celebra a formação educacional e revela suas perspectivas para o futuro.“Estou muito orgulhosa de mim mesma e estou dando orgulho para minha família que está tendo o prazer de me ver formada no Ensino Médio. Do mesmo jeito que eu consegui chegar até hoje, muitas que estão aqui dentro podem me ver como um espelho, “Se a Angelica conseguiu eu posso conseguir”. Esse é o meu primeiro passo e daqui em diante eu só quero progredir mais e deixar o que passou para trás. Errei mas vou caminhar agora de cabeça erguida e continuar a minha vida pois não é tarde para recomeçar quando a gente quer e estou querendo de verdade mudar. Futuramente penso em uma faculdade, cursar gastronomia pois adoro conzinhar”, declarou.
Estiveram presentes o secretário executivo de Planejamento e Gestão Interna da SAP, Álvaro Maciel, o titular da Coordenação de Educação da SAP, Rodrigo Moraes, representantes do corpo de gestão da Secretaria, o corpo diretivo da unidade prisional e representantes de instituições parceiras.