Projeto Radio Livre é destaque no site do CNJ
23 de setembro de 2013 - 03:00
Um dos projetos que envolvem ressocialização, educação e cultura ganha destaque em site nacional do Conselho Nacional de Justiça. Em visita a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Guilherme Calmon, o juiz auxiliar da presidência do CNJ, Luciano Losekann, o juiz coordenador do mutirão carcerário no Ceará, Paulo Irion conheceram a Rádio Livre, projeto que consiste em uma radiadora ligada a seis unidades penitenciárias, com o intuito de colaborar no processo de reintegração dos apenados com programas de educação, saúde, cultura, esporte, notícias e direitos humanos. na ocasião, o coonselheiro do CNJ classificou de “projeto inovador e bastante interessante”. Os juízes se emocionaram com o depoimento de uma filha de um preso, que ligou para o programa para desejar feliz dia dos pais.
Cerca de 5 mil detentos do Ceará ganharam um canal de comunicação direta com familiares e a sociedade. Desde o início do ano eles ouvem diariamente a programação da Rádio Livre, uma emissora criada pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) que já atinge seis penitenciárias com programação musical, serviços de utilidade pública, dicas de saúde, educação, cultura e orientações jurídicas.
Projeto pioneiro no estado, a programação da emissora chega às penitenciárias da região metropolitana de Fortaleza por meio de caixas de som distribuídas nos corredores e pátios das unidades prisionais. De segunda a sexta-feira, das 8 às 19 horas, os detentos recebem recados de familiares, informações de utilidade pública, cuidados com a saúde, dicas de leitura e entretenimento, além de música.
Por meio da internet, a programação, que é feita no estúdio da Sejus, chega simultaneamente às Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) II, III, IV e de Caucaia, na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo (Pacatuba) e no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa (IPF). Para dar mais dinâmica à rádio, os momentos musicais são intercalados com notícias de interesse dos detentos, atividades programadas, recados e mensagens de familiares.
Com o slogan “ Rádio Livre, a liberdade está no ar” , a rádio tem ajudado na ressocialização de detentos e egressos e se transformou num canal de comunicação eficiente. “Apostamos neste projeto, porque precisávamos chegar de forma direta aos internos do sistema penitenciário para falar sobre ressocialização. Muitas vezes, eles só têm atenção dos meios de comunicação pelo viés da violência. Queríamos mostrar que há espaço para eles em outras áreas, como educação, saúde, esporte, mensagens de parentes, assuntos que os conectem com outras realidades e oportunidades. Acreditamos que o preso pode ser protagonista de uma nova história”, explicou a secretária da Justiça e Cidadania do Ceará e defensora pública, Mariana Lobo.
A Rádio Livre contou, inclusive, com a participação do conselheiro do CNJ, Guilherme Calmon, que gravou mensagem anunciando o início do Mutirão Carcerário no Ceará.
Projeto da assessoria de comunicação da Sejus, a rádio foi remodelada e ganhou novo formato em março deste ano. Até então, ela só veiculava música ambiente e recados de familiares para os internos da CPPL II. “Além de música, incluímos programas de educação, de orientações jurídicas, programas de saúde, notícias, reflexões religiosas e programa de entretenimento”, informou o jornalista Felipe Sampaio da Sejus. Segundo ele, a rádio tem possibilitado a ressocialização dos detentos e está sendo responsável por uma maior aproximação da família com os internos que cumprem pena nas unidades prisionais. “É impressionante. Na hora dos recados, faz-se um enorme silêncio nos presídios. Depois de ouvi-los, os internos, batem palmas”, acrescentou o jornalista.
Os detentos participam enviando sugestões de programação, pedidos de música e perguntas aos apresentadores. Em cada unidade prisional onde a rádio chega há uma caixa onde são depositadas os pedidos dos detentos. Os familiares também participam ativamente gravando mensagens e recados e têm acesso à programação por meio da internet, no site da Sejus (www.sejus.ce.gov.br).
A expectativa é de que outras penitenciárias também recebam o sinal da rádio. A ampliação do projeto prevê a inclusão do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II e a Casa de Privação Provisória de Liberdade I.
Comandado por detenta, programa atrai audiência
Projeto da assessoria de comunicação da Sejus do Ceará, a Rádio Livre abre espaço para egressos que participam ativamente da programação. Um dos programas de maior audiência é o Se Intera (Se liga), um programa de variedades comandado por Cíntia Corvelo, que cumpre pena em regime semiaberto em Fortaleza.
São veiculados “spots” com resumos de novelas, dicas de filmes e serviços de utilidade pública. Às quartas-feiras o programa tem uma hora de duração e, ao vivo, transmite a 5 mil detentos de seis unidades prisionais da região metropolitana de Fortaleza (CE) música, dicas de cultura, recados de parentes e familiares e informações sobre saúde e direito, além de horóscopo .
Aluna do 4º semestre do curso de história da Universidade Federal do Ceará, Cíntia nunca tinha trabalhado em rádio até julho deste ano quando foi convidada para participar do programa, após ter passado para o regime semiaberto, em junho. “Meu único contato com rádio foi quando dei entrevistas por ter sido a primeira interna a usar tornozeleira eletrônica para cursar a faculdade em março de 2012”, explicou a locutora que desde junho cumpre pena no regime semiaberto, por coautoria de homicídio.
Na avaliação de Cíntia, a Rádio Livre é muito mais do que um veículo de entretenimento e tem uma grande importância na ressocialização dos detentos, aproximando-os das famílias. “A rádio foi muito bem aceita em todas as unidades prisionais e se transformou em uma ponte entre a liberdade e o cárcere”, afirmou a locutora. Segundo ela, os quadros do programa com maior audiência, além dos recados dos familiares, são o horóscopo e o resumo das novelas. “Algumas unidades não têm biblioteca, mas eu sempre dou dicas de leitura no programa. O presídio não pode ser um vazio cultural”, completou Cíntia que recebe 75% do valor do salário mínimo pelo trabalho na rádio.
Confira as matérias nos links:
http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/26359:comandado-por-detenta-programa-atrai-audiencia
Com informações da Agência CNJ de Notícias